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O Auto da Compadecida  (2000)
 

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Sinopse

As aventuras de João Grilo (Matheus Natchergaele), um sertanejo pobre e mentiroso, e Chicó (Selton Mello), o mais covarde dos homens. Ambos lutam pelo pão de cada dia e atravessam por vários episódios enganando a todos da pequena cidade em que vivem.

 

Ficha técnica:

Título Original:
O Auto da Compadecida
País: Brasil
Gênero:
Comédia
Direção:
Guel Arraes
Elenco: Matheus Natchergaele,Selton Mello,Diogo Vilela, Denise Fraga, Rogério Cardoso,Lima Duarte,Marco Nanini,  Enrique Diaz,Aramis Trindade, Bruno Garcia, Luís Melo ,Maurício Gonçalves, Fernanda Montenegro e Paulo Goulart.
Duração:
104m
Distribuidora:
Columbia Pictures do Brasil



 

 
O Auto da Compadecida chega a seu ápice em qual cena?

Na ressurreição de Chicó
No julgamento final
No gato que "discome" dinheiro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O encontro com a Compadecida
Ganhou 4 prêmios no Grande Prêmio Cinema Brasil, nas seguintes categorias: Melhor Diretor, Melhor Ator (Matheus Natchergaele), Melhor Roteiro e Melhor Lançamento. Recebeu ainda uma indicação na categoria de Melhor Filme

Andrélia Amaral(7º período Unibh)
andreliapoliana@yahoo.com.br


Guarde bastante fôlego para assistir ao Auto da Compadecida, afinal muitas gargalhadas irão surgir. A cada cena é uma nova surpresa. A harmonia entre os atores Matheus Natchergaele (João Grilo) e Selton Melo (Chicó) é muito forte, isso facilita a interpretação, pois parecem que estão brincando nas cenas e não contracenando. Isso faz com que as cenas sejam “naturais”.  O filme já foi interpretado por outros atores e com títulos diferentes: A Compadecida (1969), do gênero comédia, dirigido por George Jonas. Os trapalhões no Auto da Compadecida (2000), dirigido por Roberto Farias e o Auto da Compadecida, 2000, dirigido por Guel Arraes, todos baseados na peça de Ariano Suassuna (1955).

Por trás do humor, existe uma visão irônica, com uma forte crítica às relações de desigualdade entre as classes sociais e a igreja católica no qual Bispo e Padre vivem da cobiça. O Auto possui um humor escancarado que indiretamente discute as regras da sociedade, ateando em uma crítica ao materialismo (Padre e Bispo). Por exemplo, na cena em que Chico promete entregar todo dinheiro a Nossa Senhora, caso João Grilo sobreviva. Isso reflete uma ação de duplo sentido. Por um lado, pode ser uma ironia a Igreja (como já citei acima), por outro, Chico tem cumprir a promessa.

Um fator importante que se destaca é a imagem de Deus. O filme apresenta Jesus Cristo como negro e sua mãe Nossa Senhora a Compadecida é branca. As pessoas vêem Jesus loiro de olhos e pele branca, e o Auto mostra o racismo e quebra essa padronização. Existe uma teoria transcendente, vinculada à Igreja Católica e a idéia da salvação. O filme aborda a época do cangaço, e resgata a cultura do povo nordestino.A religião é tida como fator primordial para a população que pede clemência e misericórdia a Nossa senhora, principalmente para o cangaceiro Severino.

O diretor Guel Arraes faz uma mescla de cenas da peça de Suassuna (1995), da literatura de Cordel, como forma de vida do povo nordestino e a pobreza. Os personagens têm uma posição simbólica, e é desse simbolismo que resulta a importância do texto. O personagem principal é João grilo, porque tem o papel de desenvolver as situações do enredo. Principalmente quando faz o apelo de misericórdia a Nossa senhora.   

Algumas pessoas não gostaram do filme, pelo fato de serem omitidas algumas partes que foram consideradas como as mais engraçadas, as quais passaram na minissérie. Por exemplo, o gato que “discome”, na qual Grilo, e Chicó tentam enganar Dora (Denise Fraga), a esposa do padeiro, apresentando-lhe um gato que defecava moedas de prata. A primeira invasão dos cangaceiros á cidade, na qual João Grilo, que se fingia de morto para fugir da punição pela brincadeira do gato, finge voltar à vida por intermédio de padre Cícero, fazendo o bando de Severino fugir da cidade. Porém, esses cortes não afetam a diversão que o filme proporciona. 

Em relação à linguagem, é preciso ficar atento para não perder alguns diálogos, pois é muito rápida. Mas é próxima do modo de falar do povo do sertão, os personagens possuem uma linguagem bastante simples, com traços da fala coloquial. Algo que chama a atenção é a falsa “valentia” do cangaceiro, que se disfarça de mendigo para observar a região, o modo de vida das pessoas. Ele ataca a cidade, porque sabe que não existe nenhuma polícia fixa, no entanto a polícia existente é mais covarde do que chicó. Porém, João Grilo novamente rouba a cena. Ao cair no golpe de Grilo, o cangaceiro mostra a sua burrice, pois concorda em levar um tiro para conhecer Jesus.    

Uma das melhores partes é a hora do julgamento final. O Auto chega ao ápice nesse ponto, o qual um Jesus negro, Nossa Senhora a Compadecida e o diabo decidem o destino das almas pecadoras. João grilo vê-se sem saída e perdido, destinado a queimar no inferno. No entanto a intervenção da Virgem Maria o salva.  Como todo final feliz, o desfecho é bonito. João Grilo, Chico e sua amada Rosinha caminham pela caatinga, com Deus os observando de longe. Eles escolhem a liberdade, mesmo que aparentemente tenham um destino infeliz.  Mas o final é nitidamente otimista, por sua condição moral. Chico se lamenta por não ter o sonhado dinheiro. João comenta: E será que foi melhor assim, Já pensou se a gente fica rico e fica como o dono da padaria? Esse otimismo pode ser até chamado de insano, mas podem comentar o que quiserem, porque é a força de um olhar sobre o povo brasileiro, que enxerga as dificuldades da vida com muito humor.                  

Curiosidades

O Auto da Compadecida foi inicialmente produzida como uma minissérie de 4 capítulos, exibida na Rede Globo de Televisão em janeiro de 1998. Devido ao grande sucesso obtido, o diretor Guel Arraes e a Globo Filmes resolveram preparar uma versão para o cinema, que contém 100 minutos a menos que o tempo total da minissérie. Foi filmado em Cabaceiras, no sertão da Paraíba, uma cidade próxima a Taperoá, cidade em que as aventuras de João Grilo e Chicó são retratadas na peça teatral de Ariano Suassuna.

 

Saiba mais:

- ww.adorocinema.com.br
-
www.glofilmes.globo.com/GloboFilmes

 

 

 
 
 

 

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