Bobby mescla ficção e documentário
Filme retrata a vida do ex-senador
Robert Kennedy e os problemas vividos
por americanos de 1968
Angelina Zanandrez
(7º período Unibh)
angelinazanandrez@yahoo.com.br
Pode-se dizer que Bobby é um
manifesto a favor de uma América mais
calma com seus cidadãos e com o restante
do mundo num momento em que o país se
encontrava mais dividido. O longa tem
posição positiva em relação ao partido
democrata, já que ressalta a
perseverança de inúmeros americanos,
democratas, em busca de um país melhor e
de maiores igualdades. Com um projeto de
baixo orçamento e elenco milionário
trabalhando por um ideal político, já
que os cachês eram apenas simbólicos, o
diretor Emilio Estevez conseguiu unir
atores como, Anthony Hopkins, Sharon
Stone, Demi Moore, Helen Hunt, Martin
Sheen, Christian Slater, Laurence
Fishburne, Ashton Kutcher, Lindsay Lohan,
Elijah Wood e outros. Emilio levou sete
anos para conseguir filmar todas as
cenas e chegou a vender objetos pessoais
para completar o orçamento.
O filme se passa em 1968, ano onde os
EUA era governado pelo presidente Lyndon
Johnson, nada popular, que sustentava a
guerra do Vietnã que ia contra a opinião
pública da época e contra milhares de
manifestantes em todo o mundo. Foi neste
período turbulento que aparece em ano de
eleição o humanista Robert Kennedy, o
Bobby do título, então candidato a
presidência pelo Partido Democrata. O
interessante é que o filme não se centra
no candidato a presidência, mas sim em
22 pessoas que estão no tradicional
Hotel Ambassador de Los Angeles onde
Bobby comemorou a vitória em uma festa
democrata e onde levou três tiros
letais. Todos os personagens refletem as
realidades e anseios da época entrando e
saindo de cena de forma constante.
Naquela época a América vivia as
novidades das drogas e do movimento
hippie. O ator Aston Kutcher interpreta
um traficante hippie que apresenta LSD a
dois jovens e voluntários da campanha de
Bobby, e ficam totalmente desnorteados
sob os efeitos do ácido. Ambos os jovens
são socorridos pela garçonete Susan,
vivida por Mary Elizabeth Winstead, uma
caipira em busca de uma oportunidade no
cinema.
Interpretando
Lenka, a jornalista tcheca, entusiasmada
com a experiência democrática da
Primavera de Praga, a atriz Svetlana
Metkina corre atrás de uma entrevista
com Bobby para fazer uma matéria que
incentive as reformas em seu país , no
entanto esbarra na ignorância do
assessor Wade (Joshua Jackson), que só
vê nela a repórter de um país comunista
onde não há democracia e sendo
totalmente ignorante ao que se passava
por lá na época.
O ator Anthony Hopkins é o porteiro
aposentado do Hotel Ambassador, o mesmo
ainda freqüenta diariamente o local para
lembrar as glórias do passado, divididas
com outro aposentado, Nelson (Harry
Belafonte), ambos elos perdidos da idade
de ouro do pós-guerra, quando a América
emergiu da guerra rica e próspera
enquanto a Europa e a Ásia estavam em
ruínas. Demi Moore é uma dessas glórias
passadas, a cantora Virginia Fallon, uma
diva alcoólatra e decadente com escassos
compromissos profissionais em boates de
hotéis para platéias saudosas dos bons
tempos. Lindsay Lohan é Diane, jovem da
maioria silenciosa que se dispõe a casar
com o desconhecido William, Elijah Wood,
só para que tenha o privilégio, restrito
aos casados, de servir na Alemanha em
vez de ser mandado ao front vietnamita.
Já Martin Sheen e Helen Hunt fazem um
casal americano padrão, bem sucedidos,
mas insatisfeitos com a vida sem sentido
que levam.
Evidentemente a questão racial é
retratada ao longo do filme, já que tal
questão era bastante discutida na época.
Logo após a morte de Luther King a lei
dos direitos civis foi aprovada. O
diretor demonstra de várias maneiras tal
enfoque uma delas é com o ator Nick
Cannon, que atua como um assessor negro
da campanha de Bobby, sempre indignado
com a repressão aos negros por toda
parte. A questão racial hispânica é
evidenciada com os empregados mexicanos
da cozinha do hotel, coordenada por
Timmons, Christian Slater, um racista
que é demitido por Paul Ebbers, William
Macy, pois impediu que os empregados
participassem das votações. Paul é
casado com a cabeleireira do hotel,
Miriam, interpretada por Sharon Stone,
mas vive um relacionamento com a
telefonista Ângela, Heather Graham, que
busca crescimento financeiro.
Utilizando abundante material
jornalístico, Bobby é representado pelo
próprio candidato à presidência, em
discursos, comícios e aparições na TV. O
diretor transforma seu filme em uma
espécie de documentário, com imagens
reais de manifestações e com imagens do
assassinato de Martin Luther King. Mesmo
com um final conhecido, o assassinato de
Bobby, o longa consegue atrair um
público relativamente bom ao descrever a
morte do sonho de uma América, onde
todos ansiavam por um país melhor. Além
disso, através dele podemos fazer
associações entre o que aconteceu
naquela época, como a guerra e soldados
no Vietnã, e os soldados dos EUA no
Iraque, atualmente.
Curiosidades
O diretor
Emilio Estevez gastou sete anos para
rodar Bobby. Ele escreveu 30
páginas do roteiro mas depois teve
bloqueio de escritor, levando anos para
conseguir concluí-lo. Foi seu irmão, o
também ator Charlie Sheen, quem o
incentivou a terminar o trabalho.
Outro problema enfrentado foi a
dificuldade em conseguir financiamento para Bobby. Em
entrevista o diretor Emilio Estevez chegou a declarar que vendeu objetos
pessoais para completar o orçamento.
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