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Boa noite e boa sorte (2005)

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Sinopse:

O filme “Boa Noite e Boa Sorte”, baseado em fatos reais, narra a trajetória de um famoso âncora de jornal, Edward Murrow (David Strathairn), que, com sua equipe, utilizou o programa “See It Now”, da prestigiosa rede de televisão CBS, para questionar as atitudes de um importante político dos Estados Unidos, nos anos 50, o senador McCarthy. McCarthy destacou-se por ser protagonista em dos mais graves casos de censura que os Estados Unidos já viveu. A “caça às bruxas”, promovida pelo senador na década de 1950, perseguia e punia todos os cidadãos que, de alguma forma, rejeitavam ou não concordavam com seus pensamentos.

Ficha técnica:

Título Original:
 Good Night, and Good Luck
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 93 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2005
Site Oficial:
www.goodnightandgoodluck.com
Estúdio: Warner Independent Pictures / 2929 Productions / Redbus Pictures / Section Eight Ltd. / Metropolitan / Participant Productions / Davis-Films / Tohokashinsha Film Company Ltd.
Distribuição: Warner Bros.
Direção: George Clooney
Roteiro: George Clooney, baseado em roteiro de Grant Heslov
Produção: Grant Heslov
Fotografia: Robert Elswit
Desenho de Produção: James D. Bissell
Direção de Arte: Christa Munro


Elenco
David Strathairn (Edward R. Murrow)
Robert Downey Jr. (Joe Wershba)
Patricia Clarkson (Shirley Wershba)
Ray Wise (Don Hollenbeck)
Frank Langella (William Paley)
Jeff Daniels (Sig Mickelson)
George Clooney (Fred Friendly)
Tate Donovan (Jesse Zousmer)
Thomas McCarthy (Palmer Williams)
Matt Ross (Eddie Scott)
Reed Diamond (John Aaron)
Robert John Burke (Charlie Mack)
Grant Heslov (Don Hewitt)
Alex Borstein (Natalie)
Rosie Abdoo (Millie Lerner)

 

Premiações:

  • 6 indicações ao Oscar: filme, diretor, ator (David Strathaim), roteiro original, fotografia e direção de arte.
  • 4 indicações ao Globo de Ouro, nas categorias Melhor filme- Drama, Melhor diretor, Melhor ator – Drama (David Strathaim) e Melhor roteiro.
  • 6 indicações ao BAFTA, nas categorias Melhor filme, Melhor diretor, Melhor ator (David Strathaim), Melhor ator coadjuvante (George Clooney), Melhor edição e Melhor roteiro original.
  • 4 indicações ao Independent Spirit Awards, nas categorias Melhor filme, Melhor diretor, Melhor ator (David Strathaim) e Melhor fotografia.
  • Ganhou o Prêmio Pasinetti de Melhor filme, o Volpi Cup de Melhor ator (David Strathaim), o prêmio FIPRESCI e o de Melhor roteiro, no festival de Veneza


 

 
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Jornalismo como deve ser

Leonora Malard (7º período Unibh)


Um filme chato e monótono. Essa é a impressão que se tem ao começar a assistir “Boa Noite e Boa Sorte”. Mas não se engane! Por trás do aspecto sombrio e sem graça, proporcionado pelos tons acinzentados, a produção esconde uma obra inteligente e fascinante. Diálogos ágeis e polêmicos, como há muito tempo não se vê no cinema.

Lançado em 2005, o filme conta com George Clooney como diretor. Ator já conceituado em Hollywood, Clooney investe em sua segunda experiência como diretor de cinema. A primeira foi em 2002 com o longa-metragem “Confissões de uma mente perigosa”.

“Boa Noite e Boa Sorte”, baseado em fatos reais, narra a trajetória de um famoso âncora de jornal, Edward Murrow (David Strathairn), que, com sua equipe, utilizou o programa “See It Now”, da prestigiosa rede de televisão CBS, para questionar as atitudes de um importante político dos Estados Unidos nos anos 50, o senador McCarthy. Ele destacou-se por ser protagonista em um dos casos mais graves de censura que os EUA já viveu. A “caça às bruxas”, promovida pelo senador na década de 1950, perseguia e punia todos os cidadãos que, de alguma forma, rejeitavam ou não contestavam seus pensamentos. Os supostos comunistas eram acusados e castigados sem nenhuma prova concreta. Todos que adotavam um comportamento diferente daquele que McCarthy queria, eram considerados um perigo à segurança nacional.

Constituído, basicamente, por cenas simples, sem muitos retoques, com praticamente nenhum efeito especial, o longa-metragem não atrai a atenção do espectador pela estética. Sendo assim, o brilho da obra fica a cargo do roteiro, muito bem elaborado.

O filme foi financiado por uma produtora independente que o próprio Clooney mantém com o amigo e cineasta Steven Soderbergh. Isso permitiu ao diretor ousar na produção e fazer um filme com pouco, ou nenhum, aspecto comercial. “Boa Noite e Boa Sorte” foge aos padrões de Hollywood, de historias extremamente emotivas ou repletas de besteirol, e não lotaria as salas de cinema pelo mundo. Se o objetivo de Cloneey, ao fazer o filme, fosse bater recorde de bilheteria ele já estaria arrancando seus belos cabelos grisalhos.

O objetivo da produção é chamar a atenção para a reflexão, para a discussão que permeia a vida dos personagens e não atrair o público pelo encantamento, conseguido através de elementos estéticos como efeitos sonoros, especiais ou recursos avançados de imagem. Por isso, não é um filme que irá agradar a qualquer pessoa. Aquelas que estiverem esperando uma grande produção hollywoodiana, com efeitos especiais de encher os olhos, e uma história pobre, que garanta apenas bons momentos de gargalhadas, podem se decepcionar. Somente aquelas pessoas que estiverem em busca de um filme sóbrio, com diálogo inteligente serão capazes de reconhecer o valor desta obra.


Um aspecto interessante do filme e que, com certeza, engana os desinformados, é que Clooney não quis selecionar nenhum ator para o papel de McCarthy. O diretor usou imagens reais do senador, retiradas de arquivo. Essa estratégia garante a veracidade da obra, tornando-a quase um documentário.

Toda a produção do filme é pensada para acentuar o clima de tensão, desde as cenas em preto e branco até as atuações nervosas do elenco. O filme é repleto de fumaça, vinda dos incontáveis cigarros, de diálogos tensos, de suor e de olhares atravessados. Os personagens são mostrados, praticamente o tempo todo, na redação. Não possuem vida social, exceto quando saem para algum bar com os próprios colegas de trabalho.

Um dos maiores méritos está na fotografia de Robert Elswit. As imagens esfumaçadas contribuem para reforçar o clima de conflito e as abundantes tomadas fechadas nos rostos dos atores alimentam, ainda mais, a atmosfera de tensão.

O filme mostra-se bastante atual, apesar de retratar a década de 1950, quando o comparamos ao momento vivido atualmente pelos Estados Unidos. O atual presidente, George W. Bush, parece seguir a mesma linha de pensamento de McCarthy. Sua luta incansável contra o terrorismo chega a beirar a obsessão e aqueles que não concordam com seus métodos são considerados, no mínimo, anti-patriotas ou, em casos mais extremos, de simpatizantes do terrorismo.

“Boa Noite e Boa Sorte” é um filme fascinante. Simplesmente produzido para pessoas inteligentes.

 

Curiosidades:

- Este é o 2º filme dirigido por George Clooney. O anterior foi Confissões de uma Mente Perigosa (2002).

- O título original é uma referência à frase com a qual o verdadeiro Edward R. Murrow encerrava todos os seus programas.

- George Clooney declarou que preferiu usar cenas de arquivo do verdadeiro senador Joseph McCarthy ao invés de escalar um ator para interpretá-lo. De acordo com Clooney, em algumas exibições de teste o público não percebeu que se tratavam de cenas de arquivo, devido ao modo como o verdadeiro McCarthy atuava para as câmeras.

- Boa Noite e Boa Sorte foi originalmente concebido para ser um especial ao vivo a ser exibido pelo canal de TV CBS.

- O orçamento de Boa Noite e Boa Sorte foi de US$ 7,5 milhões.

 

Saiba mais:

- www.adorocinema.com.br 
-
www.goodnightandgoodluck.com

- www.cineplayers.com
- www.yahoo.com.br

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