Projeto de Lei visa proibir ação de
agentes financeiros
Abordagem indiscriminada
de pessoas nas ruas de BH pode estar com
os dias contados
Por
Graziella Bibiano e Patrícia Sathler
(7º período - jornalismo UNI-BH)
graziella_fb@yahoo.com.br /
patriciasathler@yahoo.com.br
A oferta de crédito, no
país, foi o que mais cresceu nos últimos
anos, cerca de 26 %, somente no ano
passado.
Devido a esse aumento, as
financeiras tomaram conta das ruas de
Belo Horizonte. Fica quase impossível
para as pessoas caminhar sem serem
abordadas por um agente financeiro
oferecendo desde empréstimo consignado
até cartões de créditos.
Muitas vezes, isso
incomoda o cidadão. Mesmo dizendo que não pode parar, acaba sendo seguido
pelos agentes.
Os créditos são
oferecidos com tantas facilidades que o
provável cliente cede e esquece, por
exemplo, de questionar os juros. Para coibir essas ações, foi criado e
está em trâmite na Câmara Municipal de
Belo Horizonte o projeto de lei número
1.485.
De acordo com a
vereadora, advogada especializada em
direito do consumidor e autora do
projeto de lei, Maria Lúcia Scarpelli, a
abordagem feita pelos agentes
financeiros representa um marketing
agressivo por parte dos bancos e
financeiras, que fazem de tudo para
conseguir um cliente. “O agente
financeiro aborda o cliente, caminha com
ele, pega pelo abraço, atravessa com ele
a avenida para levá-lo para dentro de
uma financeira. Esse comportamento é
abusivo; é um desrespeito e tem que ser
barrado”, defende Scarpelli.
Maria Lúcia ressalta que
a idéia de criar uma lei para coibir essas
ações, veio de uma observação feita por
ela, quando transitava pelas ruas da
capital. Segundo Scarpelli, “as pessoas
estão sendo induzidas a acreditar que é
vantagem fazer um financiamento, que é
vantagem se endividar, que é status
fazer um empréstimo, muitas vezes, sem
muita necessidade”.
Assim foi com a
secretária Aparecida Natividade, com problemas para quitar sua
dívida contraída em uma dessas
financeiras.
De acordo com ela, na época em que foi
abordada tinha outras dívidas vencendo,
“eu estava de cabeça quente”, disse.
Como o marido estava desempregado,
Aparecida viu na oferta uma saída para
seus problemas. “A proposta feita pela
moça da financeira pareceu bem
vantajosa, na situação que eu estava,
qualquer coisa que parecesse favorável
era lucro”, argumentou. No entanto, ela
não deu conta de pagar o empréstimo, porque os juros foram maiores do que
esperava. “Não aconselho ninguém a fazer
o que fiz”, alerta Aparecida.
A vereadora lembra o
percentual de juros cobrado como um dos
maiores problemas para quem faz um
empréstimo. “O percentual de juros é
maior do que aquilo apresentado pelo
agente”. Ela também explica
como um leigo faz esse cálculo: “para o
leigo, quando se fala, por exemplo, em
10% ao mês ele pensa que vai ser 10%
este mês, no outro e no outro. Porém, o
cálculo não é esse, os juros não são
lineares”, enfatiza. O que acaba
acontecendo é que para pagar um
empréstimo a pessoa faz outro, e acaba
entrando em “uma roda viva”.
Scarpelli aponta que o
principal intuito do projeto é
exatamente o de proibir a prática
abusiva que os agentes financeiros fazem
com as pessoas que transitam pelas ruas
de Belo Horizonte. O projeto prevê,
também, multa de R$ 800,00 por dia para
quem continuar com a prática. Ela ainda
lembra que “as pessoas abordadas são,
geralmente, as mais humildes, de menor
poder aquisitivo e de menor
esclarecimento”.
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Financeiras lideram o ranking de reclamação no PROCON
Segundo a coordenadora da
Procuradoria de Proteção e Defesa do
Consumidor, o PROCON Municipal de Belo
Horizonte, Stael Riani, passam pelo
órgão mais de 300 reclamações/dia.
Dessas, cerca de 50%, são
referentes aos assuntos financeiros. O
envio de cartões sem prévia solicitação
dos consumidores, o pagamento mínimo do
valor do cartão de crédito, são alguns
dos problemas enfrentados pelos
consumidores. “O consumidor busca o
PROCON, pretendendo à negociação da
dívida, o cancelamento de contas
correntes, entre outros propósitos”,
assinala a coordenadora.
“Antes de
fazer empréstimo o consumidor deve
procurar saber se a empresa tem registro
no Banco Central, como ela está no
ranking de reclamação frente aos PROCONS,
analisar qual é a taxa de juros que vem
sendo praticada, porque há muita oferta
no mercado, por isso surgem vários
preços. Resumindo, é preciso pesquisar e
analisar se precisa mesmo daquele
empréstimo”, alerta Riani.
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Saiba mais:
Site Prefeitura Municipal de Belo
Horizonte:
No link direito e cidadania você encontra informações
referente ao PROCON Municipal.
Câmara Municipal:
O texto da Lei referente à proibição da abordagem de agentes
financeiros nas ruas de Belo Horizonte.
Ministério Público do Estado de Minas
Gerais Procuradoria Geral da Justiça: Página
que dá acesso a informações do PROCON Estadual por meio do
Link PROCON Estadual.
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