Pão de sal não terá
uma queda expressiva
Medidas do governo não
surtirão os efeitos esperados para desoneração do pão
francês
Por
Alana Freitas e Maureci Soares
(7º período - jornalismo UNI-BH)
alanacfm@yahoo.com.br /
maurecifs@yahoo.com.br
“Esperamos
que o consumidor não mude o seu hábito”,
declara o dono de padaria Nardênio
Vieira em relação ao aumento do preço do
pão francês ocorrido em maio. O quilo do
pãozinho de sal que custava, em média,
R$ 6,50 pode ter chegado a R$ 10, o que
corresponde a um reajuste de 53%.
A respeito
da discrepância desse percentual, a
pensionista Lilian Pereira desabafa:
“Nós, pensionistas e aposentados,
tivemos 5,5% de aumento enquanto o pão
tem uma elevação de aproximadamente 50%
em seu preço. Como vamos fazer para
pagar por esse alimento?”.
A baixa
estocagem de trigo no mercado mundial é
o motivo do aumento do preço do pão
francês. O estoque dessa matéria-prima é
o menor já registrado desde a 2ª Guerra
Mundial.
Outro
fator responsável pelo reajuste é a
interrupção das vendas de trigo pela
Argentina por causa dos protestos de
seus agricultores em decorrência da
elevação das taxas de exportação. Este
país era o principal fornecedor do
Brasil, correspondendo a 98% das
importações brasileiras de trigo.
O diretor
do Sindicato das Indústrias de
Panificação de Minas Gerais – Amipão,
Tarcísio Moreira, afirma: “Desde
novembro, ocorre uma elevação no preço
da farinha, que passou de R$ 58 para R$
92 o saco de 50 kg. A previsão é de que
nos próximos dias o produto chegue a R$
120 a saca”.
Tarcísio
Moreira explica que o preço da tonelada
do trigo no mercado interno brasileiro
aumentou mais de 100% desde a última
safra. A tonelada que antes custava U$
180, hoje custa U$ 510. O Brasil paga
diretamente pelo alto custo dessa
matéria-prima, elevando de forma
considerável os preços dos alimentos
derivados do trigo, em especial, o do
pão francês.
“Na
composição de custo do pão de sal, a
farinha de trigo representa 30%”,
comenta o diretor da Amipão. Devido a
alta de preço da farinha de trigo, já
houve um repasse de 15% sobre o valor do
pão de sal, havendo a possibilidade de
um repasse de mais 15%, conforme informa
Tarcísio Moreira.
Há outros
fatores que explicam a elevação do preço
da farinha de trigo e, conseqüentemente,
o aumento do preço do pão de sal, assim
como outros produtos derivados do trigo.
Um desses fatores é a expansão do
consumo mundial, estimulada por mercados
emergentes, sobretudo o da China e o da
Índia. Problemas climáticos que afetaram
as safras em diversos países são outros
fatores.
O Brasil
também enfrentou um problema climático,
a geada. A situação agravou-se com a
falta de incentivo governamental. A
solução para os brasileiros está em
importar trigo fora do MERCOSUL, o que
saia mais caro, por causa da sobretaxa
que existe para o país que não compra
trigo no bloco.
A previsão
é de que o Brasil produza 4 milhões de
toneladas de trigo em 2008. Porém, o
país precisará de mais 6 milhões de
toneladas do produto para o consumo
interno. Até agosto, no início da
colheita, 2 milhões de toneladas de
trigo devem ser importados pelo Brasil.
Embora o
governo já tenha tomado medidas para
elevar a safra, o Brasil está distante
da auto-suficiência. Dentre as medidas
adotadas para diminuir os preços estão a
redução da cobrança do PIS/Cofins para o
trigo e a farinha de trigo e a
eliminação da taxa de 25% sobre o frete
da Marinha Mercante. Com isso, o governo
brasileiro pretende aumentar a
importação de trigo dos Estados Unidos e
do Canadá.
Mesmo com
tais medidas, a redução de preços não
será a esperada pelo governo – entre 9%
e 10% – corresponderá, no máximo, a uma
redução de 3 % no preço final do pão
francês. Isso porque apenas 5% das 52
mil padarias brasileiras devem se
favorecer com a isenção do PIS/Cofins,
de acordo com o diretor da Associação
Brasileira da Indústria de Panificação (Abip),
Luiz Carlos Caio Xavier Carneiro, em
entrevista ao site
Estado de Minas. Carneiro também
informa que 95% das padarias optaram
pelo Supersimples, que não admite o
benefício.
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Consumo em Belo Horizonte
“Um
absurdo!”, indignou-se a pensionista
Lilian Pereira ao referir-se a mais
um aumento do preço do pãozinho
francês. Lilian acredita que, com o
pão custando mais caro, as pessoas
diminuirão o consumo desse alimento.
“Haverá redução do consumo, já que
há uma queda no poder aquisitivo das
pessoas”, conclui.
Outra
consumidora que mostrou indignação
quando soube que o pão ficaria mais
caro foi a administradora de
empresas Janaína Naves. “Vai
aumentar de novo? Não posso
acreditar”.
O dono
de uma padaria no bairro Lagoinha,
Nardênio Vieira, diz que ainda não
tem notado uma diminuição no consumo
de pães. O diretor da Amipão,
Tarcísio Moreira, esclarece que
alguns empresários estocaram a
farinha de trigo e, por isso, ainda
não houve um aumento generalizado no
preço do pão e uma mudança no seu
consumo.
Nardênio Vieira aposta que o consumo
do pão se manterá por se tratar de
um alimento que já faz parte do
cotidiano das pessoas. A professora
primária Regina Félix confirma essa
projeção: “Considero o pão um
alimento essencial. Não pode faltar
na minha casa”.
O
consumidor deve ficar atento aos
preços cobrados pelo quilo do pão de
sal nas padarias. De acordo com uma
pesquisa realizada em 3 de abril de
2008 pelo site Mercado Mineiro nas
principais padarias da capital
mineira, o preço do pãozinho variou
em 61,82%, custando desde R$ 5,50
até R$ 8,90 o quilo.
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